Infância Paula Fernandes

Nascida em Sete Lagoas, Minas Gerais, Paula Fernandes de Souza foi criada a 100 quilômetros dali, na sertaneja Serra do Cipó. Morava com os pais e o irmão – Nilmar, um ano mais novo -, 200 galinhas, alguns bois, vacas e cabras, cercada por 8 mil bananeiras. Além de consumir o que produzia,a família comercializava bananas, queijo, rapadura e outros alimentos. Sem muitos brinquedos, Paula se divertia subindo nos pés de manga e fazendo tranças nas espigas do milharal. Só entrou na escola aos sete anos. Aos 8,pediu de presente um violão. O pai, então, vendeu uma corrente de ouro  e lhe comprou um violão tonante, que hoje está pendurado na parede do quarto de Paula, em Belo Horizonte.
Depois de inverter as cordas – ela é canhota -, a garota correu para a casa de uma vizinha que sabia tocar.  “Ela me deu quatro aulas e disse para minha mãe me colocar num conservatório porque já havia me ensinado tudo o que sabia”, lembra a cantora, que passou três dias pedindo para a mãe escutar a música que ela havia aprendido. Quando, enfim, dona Dulce parou o serviço para ouvi-la, ficou impressionada e passou a pedir que a filha repetisse a performance sempre que as tias as visitavam. “Por timidez, eu tocava do quarto, e elas escutavam da sala”, conta Paula. Sem dinheiro para bancar o conservatório, aprendeu sozinha as lições seguintes. E, só depois de quatro anos, teve contato com a teoria. Aula de canto, nunca fez.
Mas isso não impediu de, aos 9 anos, participar de um concurso musical infantil em Sete Lagoas. Quando chegou sua vez a banda que acompanhava os candidatos parou de tocar no meio da música. A garota foi até o fim, embora tenha entendido aquilo como sinal de reprovação. “Para minha surpresa, levei o primeiro lugar. A banda havia parado porque acharam bonitinha aquela menina cantando e tocando violão”, conta a própria. Nessa época começou a se apresentar em rodeios, para  4 mil pessoas.  As blusas com franja que gostava de usar eram feitas pela mãe, costureira.
Aos 10 anos, Paula lançou seu primeiro disco, de vinil.
Por causa da infância na roça e da carreira precoce, Paula demorou a ter algumas experiências na vida. “Minha educação foi voltada ao trabalho, nunca peguei uma revistinha pra aprender como é que fazia as coisas”, conta. Ela foi ao cinema pela primeira vez aos 15 anos, assistir Star Wars. Aos 16 conheceu o mar, na Praia de Itararé, em São Vicente. E apenas aos 19, beijou um garoto na boca, depois de ser pedida em namoro. Os dois passaram quatro anos e meio juntos. “Nunca fiquei. Acho que tem que ser namoro mesmo”, defende ela.
Aos 18 anos ela entrou em depressão. Cansada de correr atrás das oportunidades e não ter retorno, emagreceu 7 quilos e mudou para Belo Horizonte. Até então, não media esforços para investir na carreira. Trocou de casa várias vezes com a família – desde que nasceu foram 24 mudanças. Chegou a dividir um imóvel de dois cômodos, em são Paulo, com a mãe e o irmão, depois que os pais se separaram, nove anos atrás. Passou por muitas dificuldades. Até que Paula se entregou a sensação de derrota. Resolveu investir em outra coisa e entrou na faculdade de marketing. Quatro anos depois estava formada.
Para sair da depressão foram precisos dois anos de tratamento com psicólogo e remédio.
Há quatro anos, ela mora com a mãe e o irmão, no primeiro imóvel da família: um apartamento tríplex “que parece casa”, na capital mineira. Virou também empresária, à frente da Jeito de Mato, onde o irmão, Nilmar, ao lado de Dulce, cuida das finanças da irmã artista.
(Entrevista dada por Paula Fernandes à Revista TPM)
Hoje Paula Fernandes está no melhor momento de sua vida,fazendo em média 25 shows por mês. Alcançou a marca de mais de 1,2 milhões de cópias vendidas do seu mais recente trabalho “Paula Fernandes ao Vivo”. E promete nunca perder sua essência e humildade.
“Pra mim música é meu tudo minha vida a minha alma é meu nada também e eu costumo dizer que eu não escolhi música foi a música que me escolheu...”
“Comecei a cantar aos oito anos de idade,aprendi uma música por acaso e insisti com a minha mãe uns três dias pra que ela me ouvisse. Quando ela me ouviu,ela se emocionou muito,eu até agradeço a Deus por ela ter me percebido mesmo sem conhecimento musical e desde então nunca mais parei de cantar. ”
“Eu tenho boas recordações de quando eu era criança e ainda morava às margens da Serra do Cipó,eu era pequena,inocente e curtia modinhas no radinho da minha avó".
 Veja abaixo algumas fotos da infância da Paula Fernandes: